Caminhos da mente

Esquizofrenia

TDAH

Um guia para pacientes e famílias viver com esquizofrenia:

A esquizofrenia é um transtorno mental com grande impacto no cotidiano dos pacientes e seus familiares, mas que pode ser tratado.

INTRODUÇÃO

A esquizofrenia é um transtorno mental com grande impacto no cotidiano dos pacientes e seus familiares, mas que pode ser tratado.1

Se você ou alguém da sua família convive com a esquizofrenia, este material vai ajudá-lo a entender melhor a doença e o que pode facilitar o dia a dia.

O QUE É ESQUIZOFRENIA?

A esquizofrenia é uma condição de saúde mental que pode afetar a forma como a pessoa pensa, sente e percebe o mundo ao seu redor. Quem tem esquizofrenia pode apresentar dificuldades em organizar os pensamentos e em expressar e reconhecer sentimentos, além de interpretar a realidade de maneira diferente. Tem início na adolescência e começo da vida adulta (15 a 25 anos), muitas vezes é confundida com oscilações próprias da adolescência.1

POR QUE O APOIO DA FAMÍLIA FAZ DIFERENÇA?

A família tem um papel essencial no cuidado da esquizofrenia. Quando os familiares entendem a doença, oferecem apoio e mantêm uma convivência mais tranquila, isso pode ajudar a reduzir crises, favorecer o uso correto de medicamentos e outras terapias e trazer mais estabilidade ao dia a dia. Por outro lado, ambientes com muita tensão, críticas constantes ou conflitos frequentes podem aumentar o estresse e dificultar a recuperação. Por isso, é muito importante que a família busque orientação e apoio médico.2

COMO A ESQUIZOFRENIA PODE SE MANIFESTAR NO DIA A DIA

Os sintomas iniciais podem variar de pessoa para pessoa, em forma ou intensidade, mas alguns são comuns, como:3,4

  • Interpretar situações de forma diferente das outras pessoas ou acreditar que algo grave está acontecendo, sem confirmação.
  • Sensação de que está sendo perseguido, observado ou ameaçado.
  • Ouvir vozes ou perceber coisas que outras pessoas não percebem.
  • Dificuldade em manter uma conversa com sentido ou organizar ideias.
  • Agitação, inquietação, atitudes incomuns ou reações diferentes das habituais.
  • Pensamentos desconexos ou dificuldade para se concentrar.
  • Dificuldade em manter hábitos básicos, como tomar banho ou cuidar da aparência.
  • Retraimento social, apatia e deficits emocionais/cognitivos.

TRATAMENTO: COMO ELE AJUDA

A esquizofrenia não tem cura, mas o tratamento ajuda a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Ele combina o uso de medicamentos com acompanhamento profissional e apoio familiar no dia a dia. Mesmo quando a pessoa está melhor, manter o tratamento é fundamental para evitar novas crises.4

Por isso, é importante:6-8

  • Esteja sempre informado sobre a doença e como tratá-la.
  • Construa uma relação de confiança com toda a equipe que faz parte do tratamento.
  • Participe, junto ao médico, das decisões sobre o tratamento.
  • Siga o tratamento com medicamentos e combine-o com outras terapias psicológicas e sociais orientadas pelo médico.
  • Busque técnicas de redução de estresse, como meditação e mindfulness.

GRUPOS DE APOIO

Além do tratamento, participar de grupos de apoio ou reabilitação psicossocial pode ajudar no convívio e na retomada da rotina, como na Associação Brasileira de Esquizofrenia (ABRE) ou na Associação Mãos de Mães de Pessoas com Esquizofrenia (AMME).

Nesses espaços, é possível encontrar um ambiente acolhedor para conversar, trocar experiências e desenvolver habilidades para o dia a dia, como autocuidado, organização da rotina, convivência familiar e vida social. Esses grupos ajudam a criar vínculos, fortalecer a autonomia e construir uma rede de apoio, o que pode contribuir para mais estabilidade e menos crises.9

PARA O PACIENTE: ESTRATÉGIAS PARA UMA VIDA MAIS EQUILIBRADA

Algumas atitudes podem ajudar bastante a manter o controle sobre a doença:7,8,10

  • Mantenha horários regulares para dormir, se alimentar e realizar atividades.
  • Evite o uso de álcool ou o tabagismo.
  • Estabeleça uma rotina de exercícios.
  • Mantenha uma dieta saudável, evitando alimentos com excesso de açúcar.
  • Fique atento a sinais de estresse, como perda de apetite, falta de interesse em contato social, irritabilidade e ausência de motivação.

PARA A FAMÍLIA: ATENÇÃO À COMUNICAÇÃO

Conviver com a esquizofrenia pode trazer desafios, mas algumas atitudes simples ajudam a tornar o dia a dia mais organizado e tranquilo.9

A continuidade do tratamento é essencial: estima-se que cerca de 61% dos pacientes em tratamento oral interrompam a medicação, o que aumenta o risco de recaídas e hospitalizações. Por isso, o apoio da família e o diálogo com a equipe de saúde são fundamentais.11

  • Dê uma orientação de cada vez, usando frases claras e diretas.
  • Evite discussões longas, especialmente em momentos de maior agitação ou confusão.
  • Respeite o tempo da pessoa para responder e tomar decisões.
  • Evite críticas constantes, ameaças ou cobranças excessivas.
  • Incentive o diálogo com o médico: pacientes e familiares devem fazer perguntas e participar ativamente das decisões sobre o tratamento.

O QUE FAZER DURANTE UMA CRISE NA ESQUIZOFRENIA?

Durante uma crise, os familiares podem ajudar com algumas ações imediatas:9

  • Reduza os estímulos externos, como ruído de televisão e celulares, por exemplo.
  • Mantenha a calma: não expresse raiva, irritação ou medo, pois isso pode piorar a situação.
  • Não tente convencer a pessoa de que seus delírios ou alucinações não são reais, pois para ela a experiência é verdadeira.
  • Não toque a pessoa, pois ela pode estar assustada e interpretar o toque como uma ameaça.
  • Se houver agressividade, mantenha uma distância segura e não tente conter a pessoa fisicamente.
  • Tenha documentos médicos prontos para facilitar o processo, caso seja necessário o encaminhamento ao hospital.

A IMPORTÂNCIA DE CUIDAR DE QUEM CUIDA

Familiares e cuidadores não devem esquecer de si; atualmente, existem diversos grupos de apoio voltados especificamente às dores e dificuldades de quem convive com uma pessoa com esquizofrenia.9

Além disso, algumas atitudes são essenciais:9

  • Mantenha sua vida pessoal: preserve hobbies, amizades e interesses próprios.
  • Respeite seus sentimentos: sentir cansaço, raiva ou tristeza faz parte; evite a culpa.
  • Reconheça seus limites: pedir ajuda também é cuidado.
  • Estabeleça limites claros: dizer “não” e proteger sua privacidade é necessário.
  • Cuide da saúde física e emocional: sono, alimentação, movimento e momentos de pausa ajudam a lidar com o estresse.

CONCLUSÃO

Lidar com a esquizofrenia não precisa ser uma jornada solitária. Com as orientações adequadas, o apoio das equipes de saúde e um planejamento claro sobre como agir em determinadas situações, é possível enfrentar com mais confiança as dificuldades relacionadas à doença.9

Seguir o tratamento indicado pelo médico é fundamental para alcançar o equilíbrio desejado.4

Crédito de imagens: Ilustrações desenvolvidas por inteligência artificial (OpenAI). Material educativo, sem representação de pacientes reais.

Fontes:

Referências Bibliográficas

1. Ministério da Saúde, BR. Esquizofrenia [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/e/esquizofrenia/view. Acesso em: fevereiro de 2026.

2. Caqueo-Urízar A, Rus-Calafell M, Craig TK, Irarrazaval M, Urzúa A, Boyer L, Williams DR. Schizophrenia: Impact on Family Dynamics. Curr Psychiatry Rep. 2017;19(1):2.

3. Varella D. Como reconhecer um surto de esquizofrenia [Internet]. São Paulo: UOL; [s.d.]. Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/psiquiatria/como-reconhecer-um-surto-de-esquizofrenia/. Acesso em: fevereiro de 2026.

4. Mayo Clinic. Schizophrenia: symptoms and causes [Internet]. Rochester (MN): Mayo Clinic; [s.d.]. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/schizophrenia/symptoms-causes/syc-20354443. Acesso em: fevereiro de 2026.

5. Mayo Clinic. Schizophrenia: diagnosis and treatment [Internet]. Rochester (MN): Mayo Clinic; [s.d.]. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/schizophrenia/diagnosis-treatment/drc-20354449. Acesso em: fevereiro de 2026.

6. Servicio Aragonés de Salud. Guía de práctica clínica sobre la esquizofrenia: versión para pacientes [Internet]. Zaragoza: Gobierno de Aragón; 2009. Disponível em: https://portal.guiasalud.es/wp-content/uploads/2019/01/GPC_495_Esquizofr_pacient_2009.pdf. Acesso em: fevereiro de 2026.

7. National Health Service (NHS). Schizophrenia: living with the condition [Internet]. London: NHS; [s.d.]. Disponível em: https://www.nhs.uk/mental-health/conditions/schizophrenia/living-with/. Acesso em: fevereiro de 2026.

8. Living with Schizophrenia. Healthy living: coping with stress [Internet]. London: Living with Schizophrenia; [s.d.]. Disponível em: https://livingwithschizophreniauk.org/coping-with-stress/. Acesso em: fevereiro de 2026.

9. Living with Schizophrenia. Healthy living: schizophrenia and diet [Internet]. London: Living with Schizophrenia; [s.d.]. Disponível em: https://livingwithschizophreniauk.org/information-sheets/healthy-living-schizophrenia-and-diet/. Acesso em: fevereiro de 2026.

10. Family Support Services (FSS). Coping skills [Internet]. South Africa: Family Support Services; 2022. Disponível em: https://familysupport.org.za/wp-content/uploads/2023/01/3_Coping-Skills_Revised-FSS-Edition-2022-PDF.pdf. Acesso em: fevereiro de 2026.

11. Saucedo Uribe E, Carranza Navarro F, Guerrero Medrano AF, García Cervantes KI, Álvarez Villalobos NA, Acuña Rocha VD, et al. Preliminary efficacy and tolerability profiles of first versus second-generation Long-Acting Injectable Antipsychotics in schizophrenia: A systematic review and meta-analysis. J Psychiatr Res. 2020 Oct;129:222-33.

 

BR—2600144 – 033055 – Material destinado ao público leigo.

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